Maria Rosa firma parceria com a Unicamp e investe em programas de qualidade de vida para a terceira idade

(Por Laura Gonçalves Sucena)

Aos 65 anos, dona Dilma frequenta a oficina de Saúde Física e Mental que acontece às segundas-feiras na instituição MAE – Movimento Assistencial Espírita Maria Rosa, localizada no Jardim Campineiro, região Norte de Campinas/SP. Nos encontros, que têm como tema central ‘Desmistificação da Sexualidade na Terceira Idade’, os participantes aprendem sobre prevenção de doenças e a promoção da saúde e aproveitam para tirar dúvidas e quebrar tabus.

“Na nossa idade somos muito desvalorizadas e com essas palestras estamos aprendendo a nos amar. Eu sempre tive tempo para a família e quando vi estava mais velha. Agora vou cuidar de mim e não tenho nenhum problema em tirar dúvidas em relação à sexualidade. Minha vida está melhorando muito desde que comecei a participar dos encontros”, falou Dilma Guidi.
As palestras fazem parte do Programa UniversIDADE, da Unicamp, que desenvolve atividades de extensão gratuitas vinculando educação acadêmica à popular. E para manter o pessoal da terceira idade ativo física e mentalmente, o programa busca a prevenção, estimulação e capacitação do desenvolvimento físico e emocional por meio de atividades interdisciplinares que fomentam diálogos relacionados à longevidade e qualidade de vida.

De acordo com a coordenadora do UniversIDADE, a professora Kátia Stancato, o programa conta com diversas opções de atividades gratuitas de integração para que as pessoas interajam. “Oferecemos palestras e oficinas que visam melhorar a qualidade de vida da comunidade. Trabalhamos com os eixos de arte e cultura; esporte e lazer; saúde física e mental; e sociocultural e geração de renda”, explicou.

Os eixos têm como objetivo o desenvolvimento da criatividade, atualização cultural, movimento e qualidade de vida, prevenção de doença e promoção da saúde e orientação e conhecimentos específicos sobre a vida pessoal.

“Estamos com esse programa piloto até o final do ano e a procura para participar dos eixos ofertados foi grande. Na área dos esportes estamos trabalhando o alongamento e no eixo da saúde tratamos a sexualidade. A qualidade de vida é um dos objetivos do nosso centro de convivência e é isso que estamos promovendo”, explicou a assistente social da entidade, Kelly Parro.

Para Kelly, ao praticar as atividades oferecidas, os idosos adquirem inúmeros benefícios. “Além do convívio social, há melhoria da autoestima, aumento da atenção, memória e percepção, redução de doenças e diminuição do risco de depressão e ansiedade”, enumerou.

Saúde na terceira idade
Com cerca de 30 participantes, o grupo do eixo Saúde Física e Mental fala abertamente sobre a sexualidade na terceira idade. A definição para a sexualidade dada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra a importância não apenas do ato sexual, mas do contato e da intimidade preservada entre o homem e a mulher. “Muitas vezes há dificuldade em compreender e desmistificar o conceito da sexualidade, principalmente na terceira idade, quando o idoso permanece em uma perspectiva assexuada e reprimida, uma vez que o amor e o prazer não terminam com o envelhecimento. Por isso é importante falar sobre o assunto”, explicaram as professoras Silvana Blumrich e Carolina Garcia, da Faculdade Anhanguera, parceira da Unicamp no programa.

Durante os encontros, as docentes tratam de assuntos como menopausa, andropausa, mudanças fisiológicas, carinho, amor, diálogo e muito mais. “Procuramos trazer assuntos diferentes e estimular o diálogo. Os idosos têm buscado a construção de uma nova identidade, ultrapassando o modelo social ideológico e a visão estigmatizada e cheia de preconceitos. É preciso buscar uma nova compreensão na velhice, que aponte elementos como a valorização da vida. Mesmo diante das limitações, os idosos podem exercer plenamente sua sexualidade e satisfazer-se ao fazê-la”, explicou Silvana.

Para dona Cleusa Aparecida Pereira Alves, 61 anos, as palestras mostram que os idosos estão cada vez mais presentes na sociedade e desta forma, exigem uma nova postura para desvincular a ideia de que o idoso é apenas avô ou avó, esquecendo os desejos e as vontades. “Estamos aprendendo que temos nossos direitos e que a sexualidade não é um tabu. Temos que conversar sobre esse assunto”, opinou. “Estou gostando muito de participar do programa e tenho dialogado muito com meu marido sobre o que aprendo aqui”, finalizou.

Parceira
Pensando em ampliar o programa e ultrapassar os muros da universidade, a Unicamp firmou uma parceria com o MAE Maria Rosa, instituição parceira da Fundação FEAC, e levou a proposta do UniversIDADE.

Para a coordenadora do Programa, levar o UniversIDADE para uma instituição é aliar a visão acadêmica com a transformação social na busca pela qualidade de vida. “A região Norte conta com uma grande concentração de idosos e desta forma a parceria com o MAE é enriquecedora. Acolhendo parceiros externos, acabamos valorizando a responsabilidade social em prol da disseminação do conhecimento e desenvolvimento humano”, relatou.

De acordo com a assessora social do Departamento de Assistência Social (DAS) da Fundação FEAC, Carla Boni Nascimento, a instituição Maria Rosa tem se destacado no território pelo atendimento ofertado ao público da terceira idade, além da preocupação em qualificar o atendimento do Centro de Convivências Inclusivo Intergeracional.

“Esse trabalho em rede e as parcerias são potencializadores positivos de diversas ações. O território da região Norte conta com um grande número de idosos e isso mostra a necessidade de se ofertar serviços a esse público, bem como investir na qualidade dos mesmos. Em uma sociedade cada vez mais informatizada, onde o acesso às informações é de certa forma mais acessível, o conceito de avôs e avós em isolamento familiar e social já está fora de contexto”, garantiu Carla.

Saiba mais: http://www.maemariarosa.org.br/
http://www.programa-universidade.unicamp.br/